Date: 9/10/09 | Tags: entrevistas, pedra natural, personalidades

Continuamos aqui a nossa série de entrevistas com algumas das grandes personalidades da pedra natural em Portugal. Esta 2ª entrevista foi realizada a Regina Vitório, directora comercial da empresa Inovopedra – LSI Stones. Aqui fica o essencial da entrevista:
1.Nome (pessoa / cargo / empresa)
Regina Vitorio/ Directora de Vendas Mercado Int/ Lsi stone_Inovopedra Lda.
2.Actividade da empresa (tipo de actividade; há quanto tempo)
Empresa transformadora de rochas ornamentais, desde 1989.
3.Que produtos transforma a sua empresa?
Essencialmente calcários oriundos da nossa região, correspondendo a 95% da nossa produção distribuídos por chapa serrada/polida; ladrilhos; obra dimensional desde a mais standarizada à mais elaborada e padronizada de acordo com os vários segmentos e exigências de mercado.
4.Mercado nacional / estrangeiro?
Mercado Nacional e Internacional. 4,5% mercado nacional e 95,5% mercado internacional
5.A sua empresa tem uma marca própria. Que vantagens é que a marca trouxe para a sua empresa?
Sim, temos marca própria. Senti a necessidade de criar uma marca própria há sensivelmente 3 anos. Como o objectivo da Inovopedra seria avançar cada vez mais para os mercados externos, sentiu-se necessidade de criar um marca própria de reconhecimento internacional: LSI stone (Limestone inovopedra).
A vantagem que trouxe foi o posicionamento da imagem de empresa que como sabemos actualmente é bastante pautado, a necessidade foi de criar um símbolo ou marca de fácil identificação e pronunciação. LSI actualmente é uma marca registada podendo afirmar que tem o seu peso e reconhecimento internacional digno de uma empresa de portas abertas ao futuro e a novos mercados.
6.Qual a sua opinião sobre a actual crise? Como afecta a sua empresa?
A actual crise de facto não pode ser descurada, se bem que na minha opinião a mesma actualmente já está mais desvanecida. No final do ano transacto, a LSI_Inovopedra foi fortemente abalada pela crise económica que abanou a economia mundial, tendo a nossa produção no último trimestre caído 80%, uma vez que os nossos mercados eram essencialmente os que foram mais atingidos…
No entanto houve uma recuperação logo no inicio do corrente ano.
7.Qual a estratégia para ultrapassar a crise?
Trabalhar e trabalhar, só trabalhando se conseguem atingir os objectivos que se pretendem. O meu lema tem sido trabalhar de forma árdua para os mercados, quem sabe até de uma forma exaustiva… mas a compensação é o resultado do esforço!
Como uma figura social da nossa politica dizia-me há poucos dias “Haveria de haver mais pessoas como a Regina Vitório, bastava 20% da população Portuguesa ser como você e o país andava para a frente sem dúvida”, isto para dizer que é preciso muita garra, muita luta e muito empenho para se conseguir algo. Só trabalhando, com muito esforço, muito empenho e muita dedicação se consegue ultrapassar a crise.
8.O que está a aprender / aprendeu com esta crise?
Para dizer a verdade, não aprendi nada de especial. Isto porque nunca tive uma vida fácil e sempre tive que lutar para conseguir atingir os meus objectivos. Ao longo da minha “caminhada” ultrapassei várias barreiras e dificuldades tanto a nível de quebras de produção como dificuldades financeiras, mas com dedicação e objectividade consegui e vou conseguindo ultrapassar todos os entraves.
Realmente a crise atingiu o nosso país mas não nos devemos queixar nem lamentar, temos é que levantar os braços e trabalhar para sair da crise. De forma que esta crise não me ensinou nada de novo porque eu fui preparada atempadamente para ela. Mas para nosso infortúnio os Portugueses unicamente lamentam ao invés de se animarem e lutarem… facto pelo qual a crise tem sido tão badalada. E como disse um dia alguém: “Não nos devemos lamentar por aquilo que não temos mas agradecer aquilo que temos!”
9.Quais são os grandes desafios futuros para empresas de transformação como a sua?
O principal desafio é competir com a produção do Oriente… o que de uma forma geral é a grande ameaça à nossa transformação. Temos que estar muito bem preparados psicologicamente e tecnologicamente para competir com a força do Oriente ou seja a China.
10.Em geral, como vê o futuro da indústria da pedra calcária portuguesa?
Infelizmente a pedra Calcária Portuguesa já viu melhores dias. Os nossos recursos naturais estão a ser extintos em prol da indústria chinesa, que adquire grande parte da matéria-prima das nossas pedreiras, facto que é lamentável e que nós, indústria transformadora já começamos a sentir na pele.
É de lamentar que a matéria-prima saia em bruto do nosso país, ao invés de transformado. E é de lamentar que nós transformadores nacionais tenhamos dificuldade na aquisição de matéria-prima de qualidade porque a mesma é vendida em bruto à indústria chinesa. É lamentável mas é uma realidade para todos nós. Quanto ao futuro, de forma alguma me parece risonho, porque os recursos naturais estão a extinguir-se a cada dia de forma que a solução é ir ao encontro de alternativas à rocha calcária Portuguesa.


























