Patologias em revestimentos exteriores de pedra natural com fixação directa [2ª parte]
ALGUMAS RECOMENDAÇÕES PARA A SUA PREVENÇÃO
Resumo
Os avanços tecnológicos na indústria de transformação de pedra natural ou não para fins ornamentais têm permitido a obtenção de placas de espessuras cada vez mais reduzidas (10 a 20 mm). A diminuição da espessura das placas de pedra natural ou não, conjugada com o aumento das restantes dimensões origina patologias tais como descolamentos, manchas e escorrências no revestimento. A fixação directa das placas de pedra natural, utilizando colas à base de cimento, aliada a deficiente formação da mão-de-obra e, ainda, a técnicas de colocação pouco adequadas, está na origem das referidas patologias. Esta comunicação tem como objectivo realçar alguns casos de obras que apresentam as patologias referidas, ilustrando erros de projecto e de aplicação de pedra natural.
Introdução
Os revestimentos de pedra natural em fachadas assumem grande importância em Portugal, sobretudo no norte do país, em grande medida por razões climáticas. Com a evolução tecnológica, ao nível dos equipamentos de corte, a indústria transformadora de rochas ornamentais tem conseguido fornecer ao mercado português placas pétreas de grandes formatos com espessuras cada vez menores (10 a 20 mm).
No nosso país a técnica mais utilizada para aplicar revestimento de pedra natural em fachadas é a fixação directa. Esta técnica é muito utilizada fazendo a colagem da placa de pedra com um cimento-cola. O desconhecimento das propriedades dos cimentos-cola de elevadas prestações, das propriedades das pedras naturais, conjugados com uma deficiente qualidade da mão-de-obra disponível nos dias de hoje em Portugal, originam diversas patologias em edifícios jovens, com idades inferiores a 5 anos. Algumas destas patologias manifestam-se ainda na fase final da construção dos edifícios, quando muitas vezes ainda não foram habitados.
Fixação Directa de Pedra Natural em Fachada
A fixação directa de pedra natural em fachada pode ser efectuada de duas formas: colagem e selagem:
› Fixação directa por colagem: quando o elemento de fixação é uma cola; esta cola pode ser uma argamassa-cola, com ou sem resina incorporada, um cimento-cola ou um adesivo sem cimento; quando é utilizado um adesivo sem cimento, normalmente, este é um adesivo de reacção.
› Fixação directa por selagem: quando o elemento de fixação é uma argamassa à base de cal hidráulica ou de cimento branco, materiais menos susceptíveis de originar manchas nos revestimentos de pedra natural.
Actualmente, em Portugal, este sistema de fixação de pedras em paredes encontra-se muito vulgarizado. Geralmente os cimentos-cola utilizados para aplicar os revestimentos de pedra natural, são produtos monocomponente com resina pré-doseada e incorporada na mistura de pó, ou produtos bicomponente com resina pré-doseada e não incorporada na mistura de pó. Os adesivos, sem cimento, utilizados para fazer a fixação de placas pétreas em fachadas, são normalmente adesivos de reacção. Estes caracterizam-se por serem multicomponente, geralmente à base de resinas epoxídicas, que endurecem por reacção química entre os seus componentes.
Alguns autores consideram que este tipo de fixação de pedra em paredes exteriores não é aceitável, salvo em algumas situações muito particulares e devidamente justificadas. Estes mesmos autores aconselham, ainda, que na fixação directa de pedras a paredes exteriores, se utilizem sistemas de reforço como são os agrafos. A falta de recomendações e normas concretas para a fixação de pedras em paredes exteriores, origina que, em Portugal, se assista à utilização de produtos de fixação menos adequados, com técnicas incorrectas de aplicação. Desta forma alguns produtores de cimentos-cola, utilizam como recomendações as que estão descritas em documentos de origem francesa, “CAHIERS DU CSTB”. Estes documentos não recomendam a colagem de pedras naturais, tais como os xistos e as ardósias, devido à sua clivagem natural.
Autor: César Correia (Chefe de Produto da Actividade Colagem e Betumação de Cerâmica)
Fonte: Revista Rochas & Equipamentos