Qui, 09 de Fevereiro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

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Patologias em revestimentos exteriores de pedra natural

Patologias em revestimentos exteriores de pedra natural com fixação directa
A Norma Europeia 12004 classifica um cimento-cola como C2 se as aderências iniciais, por tracção perpendicular, após 28 dias, forem superiores a 1 MPa. Esta mesma norma classifica como C2S, um cimento-cola que para além das aderências iniciais anteriormente referidas, tenha uma deformabilidade transversal superior a 3 mm. Após a correcta preparação do suporte, a aplicação dos produtos de colagem deve ser efectuada utilizando a técnica da colagem dupla. Esta técnica de colagem caracteriza-se pela aplicação de cola no suporte a revestir e aplicação de cola no tardoz do elemento a colar. O cimento-cola deve ser espalhado pelo suporte utilizando uma talocha dentada, com um tamanho de dente adequado, de forma a que fique sobre o suporte uma camada contínua, homogénea e de espessura regular. A placa de pedra natural deve ser aplicada sobre o suporte fazendo pressão por forma a garantir o completo esmagamento dos cordões de cola deixados pela talocha dentada. Desta forma poder-se-á garantir que o tardoz da placa a colar fica completamente preenchido com cola e que esta está em contacto com o suporte. Em revestimentos de fixação directa devem prever-se juntas de colocação entre as placas pétreas com uma largura mínima de 4 mm. Se as dimensões as placas aumentarem, a largura das juntas de colocação respectivas deve, também, aumentar. Em grandes superfícies revestidas com placas de pedra natural devem prever-se juntas de dilatação. Caso existam juntas estruturais, entre paredes, estas devem ser respeitadas, não se devendo fazer colagem sobre este tipo de juntas.

 

Patologias e Casos Estudados
As patologias mais comuns que se encontram em fachadas revestidas com pedra natural são os desprendimentos e as manchas nas superfícies expostas das placas. Os desprendimentos de elementos fixos directamente em fachadas é particularmente preocupante uma vez que coloca em risco pessoas e bens.

As manchas nos revestimentos de pedra natural têm como efeito principal os danos estéticos que causam às fachadas dos edifícios. No entanto, se houver deposição de sais na interface entre o tardoz das placas coladas e a cola, podem gerar-se pressões devido à cristalização dos sais originando o desprendimento das placas do revestimento. Esta mesma pressão de cristalização na superfície de placas pétreas pode originar a degradação da superfície destes materiais de revestimento.

 

Conclusões
Para a fixação directa ao suporte de placas de pedra natural de grandes dimensões, deve prever-se simultaneamente uma fixação mecânica como forma de evitar desprendimentos. Na utilização do sistema de fixação directa de placas pétreas ao suporte as juntas de colocação devem ser sempre preenchidas com um material adequado, de forma a evitar a infiltração de água e diminuir os efeitos dos ciclos molhagem/secagem. A escolha do cimento-cola, a utilização de técnicas de colocação adequadas, assim como, uma maior qualificação da mão-de-obra serão necessárias para que se consigam revestimentos por fixação directa sem apresentarem patologias. O tratamento final do revestimento de fachadas com produtos hidrófugos adequados, contribuirá para que se obtenham revestimentos de pedra natural duráveis.

 

 

Autor: César Correia (Chefe de Produto da Actividade Colagem e Betumação de Cerâmica)
Fonte: Revista Rochas & Equipamentos



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