Sex, 18 de Maio de 2012

 

 

 

 

 

 

 

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Calcários ornamentais portugueses – [3ª parte]

2.3. REGIÃO A NORTE DE LISBOA – PÊRO PINHEIRO
O grupo principal de afloramentos de calcários ornamentais nesta região localiza-se entre Lameiras e Negrais, nos arredores de Pêro Pinheiro, cerca de 50 km a Norte de Lisboa. Provêm daqui algumas das mais tradicionais pedras ornamentais portuguesas, nomeadamente o Lioz, o Amarelo de Negrais, o Encarnado de Negrais, o Encarnadão de Lameiras e o Abancado. São calcários do Cretácico cujo elevado valor económico deriva, em grande parte, das cores vivas que ostentam e da sua comprovada durabilidade. A produção anual ronda as 14 000 toneladas. Salienta-se, ainda, um pequeno núcleo extractivo na região de Cascais, donde se extrai a variedade Azul Cascais. Este núcleo encontra-se condenado ao desaparecimento face à pressão urbanística. A actividade extractiva nesta região ocorreu em duas fases temporais distintas, bem marcadas. Uma fase antiga que começou há pelo menos 6 séculos, conforme evidenciado pelo uso destas pedras nos antigos edifícios, igrejas e monumentos de Lisboa, e de que resultaram enormes pedreiras. Face à forte expansão urbanística desta região, a maioria está actualmente inactiva. Muito recentemente, perante uma fase de edificação de novos edifícios públicos de grandes dimensões, verificou-se um ressurgimento da actividade extractiva nesta região, particularmente incidente sobre as muito apreciadas variedades de Encarnado. No que respeita às potencialidades futuras da região de Pêro Pinheiro, embora a existência de recursos na ordem dos 5 milhões de toneladas seja bastante atractiva, a pressão urbanística continua a ser muito grande e, portanto, bastante limitativa.

 

2.4. REGIÃO DA BACIA ALGARVIA
Na bacia Algarvia, no bordo Sul do território nacional, afloram rochas datadas fundamentalmente do Mesozóico e Cenozóico. As potencialidades em calcários ornamentais desta região reportam-se a rochas datadas do Jurássico Superior, mais concretamente a uma variedade conhecida por Brecha Algarvia ou Brecha de Tavira, cujo aspecto ornamental a recomenda para placagens diversas e, inclusive, para tampos de mobílias ou outras aplicações decorativas. Esta variedade faz parte duma unidade geológica aflorante na Bacia Algarvia entre São Brás de Alportel e Tavira. As pedreiras estão, actualmente, restritas a 2 pólos extractivos: a área da Mesquita, na região de São Brás de Alportel, e a área de Santo Estevão, nas proximidades de Moncarapacho. A produção actual ronda as 12 000 tons/ano. Estudos geológicos de pormenor recentes (Manuppella, G. et al., 2000) evidenciaram as duas áreas atrás referidas como
sendo as mais favoráveis. Os recursos em pedra com potencialidades ornamentais são da ordem das dezenas de milhões de toneladas.

 

4. CONCLUSÕES
O sector extractivo da indústria portuguesa de calcários ornamentais teve um grande incremento nos últimos 20 anos, o que é relacionável com a intensa actividade verificada no Maciço Calcário Estremenho. Tendo em conta os actuais centros produtores, pode-se considerar Portugal como tendo um elevado potencial neste
sector. Também as extensas zonas de afloramentos potencialmente favoráveis à extracção de calcários ornamentais das unidades Moleanos e Codaçal, no Maciço Calcário Estremenho, e as da Serra de Sicó, mais contribuem para esse elevado potencial. Para uma correcta avaliação e valorização deste potencial, é necessário continuar a apostar na realização de estudos geológicos detalhados vocacionados para esta actividade, os quais possam vir a permitir a delimitação de novas áreas alvo, bem como o estabelecimento de critérios de exploração racional que tenham em conta a salvaguarda dos valores ambientais e da paisagem, de modo a não ser afectado o bem-estar das populações. O facto de o sector estar bem dotado de unidades de extracção e de transformação incorporando as mais modernas tecnologias, permite assegurar a sua competitividade e, assim, a geração de importantes mais-valias, úteis ao desenvolvimento regional e à economia nacional.

 

 

Autor: Jorge Carvalho, Giuseppe Manuppella e A. Casal Moura (Geólogos do Instituto Geológico e Mineiro – Portugal)
Fonte: Revista Rochas & Equipamentos



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