Qui, 24 de Abril de 2014

 

 

 

 

 

 

 

Calcários ornamentais portugueses

As principais regiões produtoras de pedra calcária são o Maciço Calcário Estremenho, a região a Norte de Lisboa – Pêro Pinheiro e a Bacia Algarvia, sendo a primeira a responsável pelo forte aumento de produção verificado nos últimos 20 anos.

 

As rochas classificadas como calcários não devem ser confundidas com os mármores. Com efeito, enquanto os calcários são, genericamente, rochas sedimentares constituídas por elementos clásticos agregados por um cimento calcítico, os mármores derivam da actuação de fenómenos metamórficos sobre os calcários, sendo constituídos fundamentalmente por calcite neoformada. Esta distinção traduz-se por uma marcada diferenciação de ambos os tipos de rochas ao nível das respectivas características físico-mecânicas. Em termos de sistemática ornamental, os calcários portugueses podem ser agrupados em função da sua cor e das suas características fisíco-mecânicas. Em termos químico-mineralógicos apresentam um elevado grau de pureza.

 

Em todas estas regiões os calcários explorados para fins ornamentais são de idade Mesozóica. A facilidade de exploração da maioria dos calcários portuguesas, a abundância de reservas, o tamanho dos blocos disponíveis e a sua grande homogeneidade textural e cromática, têm permitido a oferta de boas qualidades a preços favoráveis, pelo que estas rochas têm vindo a ser muito reclamadas pelos mercados.

 

1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS PRINCIPAIS ÁREAS PRODUTORAS SERRA DE SICÓ

A Serra de Sicó localiza-se no litoral centro de Portugal entre as cidades de Tomar e Coimbra. É constituída,
fundamentalmente, por rochas carbonatadas de idade Jurássica, ocupando uma área aproximada de 700 km2.
Ao contrário das regiões que mais adiante serão referidas, na Serra de Sicó apenas de forma esporádica se exploram calcários para fins ornamentais, mais concretamente na área de Ansião donde se extrai a variedade Rosado de Ansião. No entanto, estudos litoestratigráficos recentes evidenciaram um forte potencial desta região para a produção de calcários ornamentais.

 

2.MACIÇO CALCÁRIO ESTREMENHO

O Maciço Calcário Estremenho (MCE) reparte, com a região de Évora, onde se extraem mármores, a liderança da produção de rochas ornamentais em Portugal, com um total de 630 000 tons no ano de 1998 (IGM, 2000). Ocupa uma área de 900 km2 no centro do País, a cerca de 100 km a Norte de Lisboa. Encontra-se em grande parte abrangido por um Parque Natural: o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, que é uma das entidades responsáveis pelo ordenamento da indústria extractiva nesta região do País. Este Maciço corresponde a uma espessa sequência de rochas carbonatadas mesozóicas que se apresentam estruturalmente sobrelevadas. A sua litoestratigrafia está actualmente bem conhecida. As unidades produtivas das principais variedades ornamentais estão datadas do Jurássico Médio, mais concretamente do Batoniano e do Caloviano. No Maciço Calcário Estremenho existem 5 pólos principais onde se desenvolve a actividade extractiva: as áreas de Pé da Pedreira, de Moleanos, do Codaçal, de Fátima e de Alvados.

 

2.1 Área de Pé da Pedreira

A área de Pé da Pedreira, com cerca de 10 km2 é o principal pólo de extracção de calcários ornamentais de todo o País. Moca Creme é o nome pelo qual é conhecida a variedade ornamental mais representativa desta região, sendo a sua utilização preferencial em revestimentos interiores e exteriores. Estudos geológicos detalhados realizados, nesta área, pelo Instituto Geológico e Mineiro permitiram avaliar as suas potencialidades em calcários ornamentais em cerca de 40 x 106 tons (Carvalho, J., 1997). Dois outros pólos de extracção menos importantes, mas geologicamente relacionáveis com o de Pé da Pedreira, são o de Cabeça Veada e o das Salgueiras (Arrimal). As variedades ornamentais daí provenientes são conhecidas por Semi- Rijo da Cabeça Veada e Semi-Rijo Arrimal, respectivamente, sendo a sua utilização semelhante à do Moca Creme.

 

 

Autor: Jorge Carvalho, Giuseppe Manuppella e A. Casal Moura (Geólogos do Instituto Geológico e Mineiro – Portugal)
Fonte: Revista Rochas & Equipamentos